quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A Carroça do Peregrino.

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“Uma peregrinação (do latim per agros, isto é, pelos campos) é uma jornada realizada por um devoto de uma dada religião a um lugar considerado sagrado por essa mesma religião. Castigo auto-imposto com o objectivo de pagar determinados pecados e outras vezes para cumprir auto penas. As peregrinações ocorrem desde os tempos mais remotos, mesmo nos chamados tempos primitivos em que predominavam os costumes ou ritos pagãos.”
Peregrinar não se trata apenas do acto de caminhar - no caso da peregrinação a pé - ou executar um trajecto com um determinado número de quilómetros; é reconhecido que peregrinar carece, caminhar-se motivado "por" ou "para algo".
Carregar nas costas a cruz “dos nossos pecados” ou o nosso País. Despojado o cidadão dos bens comuns de uma sociedade de absurdo consumo, aproveita - se então na aflição os caminhos que servem para alimentar o fogo da fé, onde se erguem aos Santos os altares mais altos, na
busca do lugar sentado à direita do Senhor. “Por aí” andam Homens e Mulheres com medo no
futuro perante o peso do passado, e assim todos carregam nos caminhos da vida a mesma cangalha, pesada e cinzenta, largando “ferro” em qualquer eido, profanando a paisagem.
Crítica explícita a um país, carroça frágil sob o manto de uma economia em trespasse, onde a pobreza paga imposto sobre imposto. Um Portugal, “pimba”, da inércia, do Futebol, de Fátima e de muito Fado que se mantém actual.
Ficha técnica do projecto Apresento neste projecto (em desenvolvimento) uma peça/instalação “A Carroça do Peregrino” acompanhada de uma fotografia, representação de um peregrino em sua longa caminhada.
Esta carroça é um altar ambulante, assemblage. Construída em madeira e objectos/utensílios do quotidiano (mantas, tachos, pá, faca de mato, cordas, corno do mau olhado, etc..). No topo da torre uma casa feita de cabedal que aloja uma nossa senhora de Fátima adornada com flores de
plástico (elemento comum em muitas capelinhas no nosso país) e um recipiente para esmolas.
Este cenário de crítica pode servir de pano de fundo para muitas conversas e debates, sobre a nossa identidade como portugueses.

Gabriel Garcia